sexta-feira, 23 de junho de 2017

A IMPOSSILIDADE DO PÓS-MODERNISMO



O pós modernismo, seria um conceito que surge no século 20 e que, dentre tantas outras coisas, traz consigo a ideia de que a razão, como uma referência e garantia para se chegar ao conhecimento objetivo, não mais seria uma opção válida. Em outros termos, a concepção pós moderna, nega quaisquer esquemas racionais de explicação da realidade. Para o homem pós moderno, os discursos e pontos de vista nada mais seriam que construções vazias de significado objetivo,  frutos apenas do meio ou de um contexto em particular. De forma que as ideias de verdades absolutas, objetivas, universais e atemporais não seriam verdadeiras. O ponto de vista pós moderno é um claro rompimento com o discurso da razão na modernidade, bem como com os discursos religiosos, ou qualquer outro discurso que se coloca como capaz de compreender de forma objetiva a realidade.

É bem verdade que a concepção pós moderna é bem mais abrangente, no entanto, acredito que a rápida e específica definição acima é suficiente para nos fazer situar naquilo que queremos explorar durante esse pequeno texto. Em primeiro lugar, eu creio que o pós modernismo é uma espécie de ceticismo epistemológico, mesmo que não absoluto. A crença pós moderna de que verdades não passam de discursos produzidos pelo meio ou contexto, não é uma negação plena de verdades existentes. A questão distintiva seria que as verdades não mais possuiriam um significado objetivo, atemporal e universal. Logo, o ceticismo do pós modernismo se encontra na negação de verdades ou esquemas que de forma absoluta seriam capazes de explicar objetivamente a realidade; ou seja, o ceticismo é no que diz respeito à crença em verdades objetivas,  não em verdades relativas.

Não é preciso ter uma alto QI para perceber o quão incoerente  é o discurso pós moderno. Por outro lado, depois de alguma reflexão, não encontro nenhuma cosmovisão(nem mesmo as racionalistas não-revelacionais), que seja capaz de responder de forma satisfatória as proposições do pós modernismo. Apenas o cristianismo seria capaz de responder de maneira apropriada as reivindicações do homem pós moderno.

Observação: Não oferecerei nesse texto a razão da minha negação da possibilidade de conhecimento por meio do racionalismo não-cristão. Digo apenas que todas as posições racionais não-cristãs partem de um primeiro princípio que por vezes, são contraditórios, injustificados e irracionais. Uma apresentação mais detalhada sobre minha rejeição à racionalidade não-cristã ficará para uma outra ocasião.

Ora, a máxima do pós moderno é a afirmação de que "TODO o ponto de vista é determinado pelo contexto cultural". Partindo dessa assertiva, o pós moderno chega a conclusão de que verdades objetivas não existem. Porém, existem alguns problemas com essa concepção. Em primeiro lugar, se TODO o ponto de vista é determinado pelo contexto cultural e que, sendo assim, a verdade objetiva não existe, logo, o ponto de vista de que "TODO ponto de vista é determinado pelo contexto cultural e que por isto a verdade objetiva não existe" também seria determinado pelo contexto cultural. Do contrário, TODO ponto de vista não seria determinado pelo contexto cultural, mas apenas ALGUNS".  Em segundo lugar, se a crença de que todo o ponto de vista é uma construção e que por isto estaria desqualificada a crença em verdades absolutas ou universais, o próprio discurso do pós moderno, que também seria uma construção, estaria desqualificado em seus próprios termos. Ora, se para o pós moderno a crença de que o discurso é construído desqualifica a verdade objetiva, por que o discurso pós moderno também não estaria desqualificado se ele também é uma construção? Por qual autoridade o pós moderno define qual discurso é válido ou não? O princípio do pós moderno é um tiro no próprio pé de sua concepção.

A resposta do pós moderno para estes argumentos apresentados talvez seria que " tudo o que foi argumentado até aqui é fruto do pensamento racional, pensamento este rejeitado pelo pós modernismo". Mas, o que o pós moderno não percebe é que a racionalidade é algo inescapável; quando ele tenta abdicar  da lógica ou racionalidade, ele termina por afirmá-la, mesmo em sua negação. Peguemos o exemplo da lei da não-contradição, o pós moderno nega que esta lei seja uma verdade absoluta ou universal. A lei da não contradição diz que uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo e no mesmo sentido. A grande questão é que, para não afirmar a lei da não-contradição, o pós moderno precisou negá-la. Em outras palavras, até quando negamos a lei da não-contradição, estamos afirmando esta lei, visto que eu não posso negar e afirmar esta lei ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Portanto, a racionalidade é algo inescapável no discurso humano. O que nos distingue de um gato, cachorro, cavalo, etc. é a capacidade de raciocinar e pensar de maneira racional. O pós modernismo, portanto, não pode afirmar nada do que diz; o seu discurso é auto-destrutivo, torna o conhecimento impossível e nos conduz inevitavelmente ao ceticismo absoluto. Mas, como já dito em outro lugar, o ceticismo é auto-contraditório, pois quem afirma que o conhecimento não pode ser alcançado, está reivindicando ter conhecimento de que o conhecimento não pode ser alcançado.

Assim sendo, oferecemos para o homem pós moderno o cristianismo como uma fonte e base sólida para o conhecimento. Ora, no cristianismo, Deus é o fundamento de toda a realidade. Por meio do logos, isto é Cristo, A Razão e a Lógica de Deus, todo o discurso se torna inteligível. O que foi apresentando até aqui não foi uma mera defesa da racionalidade. O pensamento racional que nega a revelação como seu primeiro princípio não pode tornar o conhecimento possível. O meu primeiro princípio é Cristo, a lógica. A racionalidade que parte da revelação infalível de Deus é a única que torna a realidade inteligível. O conceito de Deus no cristianismo, quando bem compreendido, não contém em si mesmo nenhuma contradição. Além disto, o Deus Cristão nos fornece uma adequada quantidade de conhecimento, seja em relação a moral, ética, verdade, origem de todas as coisas, o sentido da vida, etc. Ele é um princípio abrangente que torna a realidade inteligível. O Deus cristão se define como o Ser Todo-Poderoso, imortal, eterno, maior que a realidade, criador dessa realidade, Onisciente, Onipotente, Onipresente etc. Somente um ser descrito  de tal forma é quem pode ser o fundamento da realidade. Como dito em outro lugar, o fundamento da realidade deve ser maior que a realidade. Deus, portanto, cumpre todos os requerimentos de um primeiro princípio auto-justificado, com conhecimento abrangente, sem contradições em si mesmo e com autoridade suficiente para impor seus padrões de maneira universal.

O fato do pensamento racional ser inescapável, é apenas uma testificação daquilo que Deus revela em sua palavra. A bíblia diz que Deus nos fez a sua imagem e semelhança, isto é, por mais que nossa mente seja limitada, ela é um vislumbre do que a mente de Deus é. Deus raciocina, nós raciocinamos; Deus pensa de maneira lógica; nós também. É bem verdade que falhamos ou não entendemos todas as coisas, mas o que entendemos é o suficiente para refletir a imagem de Deus em nós. Deus é a única mente absoluta, mas Ele nos faz conhecer a verdade apesar das limitações causadas  pelo pecado. A lógica é atemporal pois ela é fundamentada no Deus que é atemporal e que pensa de maneira racional. Portanto, a própria testificação da lógica como algo inescapável no ato de pensar é a garantia de que Cristo implanta em cada homem esta capacidade inescapável.

Concluímos afirmando a impossibilidade do pós modernismo para sustentar até mesmo suas afirmações contrárias à racionalidade, bem como para sustentar a sua interpretação da realidade. O pós modernismo nos conduz inevitavelmente ao ceticismo, mas o ceticismo não deve ser aceito como cosmovisão, visto ser ele auto-contraditório. Por fim, apresentamos Cristo, a lógica, como o fundamento único de todo o conhecimento e da realidade.

 Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

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