sábado, 17 de dezembro de 2016

A INFLUÊNCIA DA RELIGIÃO CRISTÃ NOS CONCEITOS DE MORALIDADE E SUA PARTICIPAÇÃO E LEGITIMIDADE NA POLÍTICA


Toda a moralidade e o sentido do certo e o errado presentes em nossa cultura ocidental advém da influência direta da religião, isto é, do cristianismo, queiram os naturalistas ou não; queiram os "contrários à influência da religião na política ou não". Se hoje temos alguma definição de moralidade, isto é devido à influência direta dos ditames do cristianismo. Se o não-religioso quer argumentar que a religião não deve interferir na política, que ele, em nome da boa e velha coerência, jogue no ralo todo, ou parte dos valores morais que ele hoje ainda pronuncia ou defende.

A ideia de dignidade humana presente em nossa realidade ocidental e que é repetida inclusive por não-religiosos, se encontra alicerçada na contribuição direta da mensagem cristã do amor ao próximo propagada por Cristo. Em vários lugares do mundo, bem como aqui no Brasil, a dignidade humana nem sempre fora uma realidade. Aqui por exemplo, certas culturas indígenas, antes da chegada dos europeus cristãos, praticavam coisas que são descritas e classificadas por estes mesmos não-religiosos, como atos ABSURDOS. Refiro-me em específico ao ritual da Antropofagia e até mesmo o canibalismo, onde certos índios comiam seus prisioneiros de guerras. Os valores cristãos trazidos pelos europeus, modificaram muitos dos valores defendidos pelos indígenas de outrora.

Por exemplo, quando vejo um moderninho falar em dignidade humana ou direito à vida, me pergunto por qual padrão os homens tem alguma dignidade ou direito à vida. Nem sempre obtenho resposta satisfatória, somente respostas e argumentos em círculos dissociadas de um fundamento sólido. Alguns chegam a argumentar que o padrão que estabelece o direito à vida, dignidade, etc. não é um suposto Deus ou qualquer ordem natural estabelecida por Ele. Os tais preferem acreditar que os ditos direitos são meros frutos de acordos sociais, que, por meio das leis, são reconhecidos como DIREITOS.

Não precisamos de muito esforço para entendermos o quanto este raciocínio é perigoso e também contraditório. Se os direitos estão fundamentados em meros acordos sociais, o que nos garante que amanhã o seu e o meu direito à vida, dignidade etc. continuarão sendo nossos direitos? Se esses direitos dependem ou são fundamentados por acordos sociais através de leis, amanhã mesmo uma elite totalitária poderia, através de um outro acordo, definir que o direito à vida pertence apenas aos aliados dessa elite. É aqui onde o mora o perigo desse pensamento. Mas agora mostraremos a falha racional.

A falha racional é que a lei humana não é o padrão final que fundamenta estes direitos. O direito à vida, fora PERCEBIDO por certos acordos sociais e pelo estado, mas NÃO FORA DADO por esses acordos sociais ou pelo estado. Eu não respiro porque o estado através de leis decidiu que eu deveria respirar para viver. Eu respiro porque naturalmente é me concedido essa condição para que eu sobreviva. A lei não fundamenta nenhum direito natural, pois, se assim o fosse, não mais seria um direito natural, mas sim um direito concedido pelo estado. É a estrutura natural que fundamenta o direito natural e que, percebido pelo estado, passa a constar na lei. Um outro exemplo específico do perigo da ideia de que as leis humanas fundamentam o direito à dignidade, liberdade e vida é que teríamos então de admitir que a escravidão, que é oposta à liberdade( liberdade esta que também é um direito natural, visto o meu corpo não ser o meu e o seu ao mesmo tempo), defendida por lei em vários momentos da história, foi justa apenas por ter constado, em determinados momentos, na lei. Não é a lei que torna algo intrinsecamente justo ou injusto, mas sim a própria estrutura da realidade natural que é por vezes percebida pelo estado através da elaboração das leis. Essa percepção em nossa realidade ocidental, sem dúvida, foi influenciada TAMBÉM pela própria religião cristã, que traz um sentido e fundamento racional e transcendente para estes direitos naturais hoje defendidos. Para o cristianismo, Deus é o primeiro fundamento de todas as coisas. Sem Ele, nem mesmo a ordem natural estabalecida poderia estabelecer e justificar a si própria. Deus é quem concede sentido à tudo. Ele é quem define os próprios termos. 

O inimigo da religião ainda assim poderá argumentar contra a influência da religião em questões políticas. Mas a pergunta é: se o cristianismo não pode interferir na política, por que o ateu ou o naturalista poderiam? Provavelmente a resposta dos que são contrários à influência da religião, seria: " Porque o religioso não pode impor seus dogmas e valores sobre as demais pessoas". Mas se faz necessário lembrar que não é somente o religioso que possui dogmas, crenças e valores. Os ateus e naturalistas também tem sua cartilha anti-religiosa e dogmática que quer, por muitas vezes, impor por meio da política as suas posições. A grande pergunta seria: por que o ateu pode influenciar com seus valores a política e o religioso não? Por qual padrão a influência ateísta é mais digna que a influência a religiosa? A resposta a essas perguntas é que há claramente um preconceito absurdo contra os religiosos quando qualquer influência é admitida, menos a religiosa.

É bom lembrar a estes moderninhos que os religiosos possuem base racional para a defesa e sustentação de suas proposições. Argumentar que as afirmações do religioso em defesa de seus dogmas são uma composição de argumentos cegos e irracionais, é coisa de tolos ignorantes que nem sequer leram uma linha escrita por algum filósofo cristão ou religioso. 

Quando, por exemplo, o cristão argumenta sendo contrário ao aborto, ele se utiliza da própria argumentação racional e lógica se opondo à tal prática. A influência última da religião na construção de tal argumento, não desqualifica o religioso. O que desqualificaria o argumento religioso seria uma possível falha na construção de sua proposição. Se o ateu ou naturalista não quer que a opinião do religioso referente ao aborto seja aceitável, que ele seja capaz de, primeiramente, desfazer ou destruir a argumentação racional do religioso. Se ele não for capaz disso, que se cale e largue seu preconceito infantil. 

Ora, a cosmovisão cristã é uma tradição religiosa rica em conteúdo filosófico. O cristianismo nos presenteou com figuras e pensadores de alto gabarito e, sem dúvida, boa parte ou nenhum desses moderninhos pseudo-intelectuais seriam capazes de discutir dois minutos com nenhum deles sem que não fossem humilhados vergonhosamente. Portanto, é de se considerar em nome da coerência, a voz da religião e desses pensadores em nossa realidade.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 22 de novembro de 2016

RELATIVISMO, CIÊNCIA EMPÍRICA OU CEPTICISMO? EU PREFIRO A RACIONALIDADE DO CRISTIANISMO


Já está mais do que provado que o relativismo é auto-contraditório; nem precisamos repetir. A proposição máxima do relativismo é a "negação de uma verdade objetiva", mas, sem precisar de tanto esforço, logo apreendemos que tal assertiva é contraditória, portanto auto-destrutiva, visto a própria negação da verdade objetiva ser uma afirmação dela em última instância. Os relativistas perceberam o problema e apelam para o relativismo-relativista, que seria a tentativa de relativizar o próprio relativismo. No entanto, esta nova tentativa não deixa de esconder seus problemas pois o relativismo-relativista nos levaria à uma regressão infinita e o relativismo já não mais teria como ser justificado no sentido de poder sustentar com segurança a si mesmo ou alguma proposição derivada. Desta forma, o conhecimento se tornaria impossível restando apenas ao relativista abraçar o ceticismo. Só que, como já ficou mais do que comprovado por grandes apologistas e filósofos cristãos, o cepticismo também é contraditório e auto- destrutivo pois, a máxima de que " a verdade não pode ser conhecida" é colocada, conscientemente ou não, como verdadeira. Portanto, é inescapável para as filosofias negadoras de uma verdade objetiva que até mesmo a negação da verdade, é uma afirmação dela. E que considerando este fato, é uma verdade absoluta que a verdade é uma afirmação necessária. De sorte que, tanto o relativismo, relativismo-relativista e cepticismo são teorias insustentáveis e irracionais.
No cristianismo, a ideia de um Deus que fundamenta a realidade não contém em si mesma nenhuma contradição. E não faz sentido perguntar " por qual fundamento Deus é o fundamento?", pois, se houvesse um padrão que autentica Deus , Deus não mais seria o fundamento, mas apenas uma derivação de um outro fundamento. Ora, toda cosmovisão parte de um primeiro princípio, e este primeiro princípio DEVE, por necessidade, ser auto-autenticado. Do contrário, as cosmovisões, com suas proposições derivantes deste primeiro princípio, não teriam sustentabilidade. Se o primeiro princípio de um pensamento for falho, as proposições derivantes também serão. De sorte que o primeiro princípio é auto-autenticado quando nele não há contradições internas e sendo ele, portanto, capaz de se auto-justificar.
Desta forma, acreditar que Deus é o princípio primeiro e último da realidade é algo logicamente válido e sustentável. Ademais,acreditar que o fundamento da realidade é um Ser maior que a própria realidade é o mínimo que se é requerido. Pôr como fundamento da realidade algo menor que a realidade é pura contradição. A ciência empírica é em si mesma ineficiente e, por vezes, entra em contradição desdizendo o que outrora defendia. Logo, não deveria servir, ou não serve como primeiro princípio. 

A superioridade do cristianismo é encontrada na sua consistência interna. Na racionalidade cristã não há contradições. A cosmovisão cristã não é apenas logicamente sustentável, ela é também abrangente atendendo assim a todas as demandas da vida humana sejam morais, éticas, cultural, econômica etc.

Soli Deo Gloria
Álvaro Rodrigues

sábado, 16 de janeiro de 2016

A impossibilidade e auto-contradição do relativismo


Relativismo é a crença de que a verdade objetiva e valores éticos e morais absolutos não existem, mas que os valores morais são frutos de convenções sociais de cada cultura em particular. Em outras palavras, o relativismo apregoa que "é falsa a crença de que os conceitos de bem e mal  podem ser definidos objetivamente, isto é, de forma absoluta". Para o relativista, o bem e o mal são definidos por cada cultura em particular. Desta forma, para o relativismo, certa ação tida como um "bem" para determinada cultura, pode ser, para outra cultura, um mal. De forma que cada cultura teria suas verdades em particular e que tais verdades não poderiam ser impostas à outras culturas, e que muito menos seria correto certa cultura julgar ou criticar as concepções de ética e moralidade de uma outra determinada cultura. Entende-se, no relativismo, que a cultura ou determinado contexto social seriam os definidores do que seria considerado certo e errado. Podemos então resumir nossa definição afirmando que o relativismo é a negação total da existência de um padrão ético e moral universal, ou que se aplique à humanidade no geral.

Definido em poucas linhas o que é relativismo, partiremos para o objetivo deste pequeno texto que é demostrar as implicações irracionais do relativismo, sendo ele posto em prática ou não. Como também, demostrar que tal cosmovisão é falsa e auto-destrutiva, pois seu princípio primeiro, que serve de fundamento para as outras proposições da cosmovisão, é falho e auto-contraditório.

 Para facilitar e ser mais preciso, coloraremos  4 das proposições mais comuns e utilizadas pelos relativistas:

1. Os valores morais e éticos são resultados de acordos sociais em um determinado contexto cultural.

2. A verdade absoluta não existe, ela é subjetiva à cada cultura

3. Uma cultura não pode criticar outra determinada cultura, e muito menos impôr seus valores particulares sobre ela.

4. A existência de vários princípios morais e éticos diferentes  se estabelece como a prova de que a verdade é relativa

(1) O relativista, quando usa a primeira proposição, coloca os acordos sociais como o fundamento daquilo que se deve considerar como certo ou errado. Mas há um problema aqui. Se  o fundamento da moralidade, isto é, do que pode ser considerado certo ou errado são os acordos sociais entre pessoas, e em especial as convenções impostas por um determinado governo, este então parece ser um péssimo e falho fundamento. Ora, se os acordos sociais são feitos por homens falíveis, este fundamento(acordos sociais) pode ser falível também. Sendo assim, por que eu deveria aceitar e ter como verdadeiro este fundamento, sendo que ele é construído por homens que são falíveis iguais a mim?  Nada nos garante que este fundamento, e o que foi definido por ele  como bem ou mal, estejam corretos. Desta forma, a base do relativismo para a negação da verdade e dos valores objetivos é falha e incerta; daí surge a necessidade de um fundamento transcendente e auto-autenticado. Além disto, a afirmação de que "o certo e o errado são resultados de convenções sociais", é posta como uma verdade absoluta para alguns relativistas, o que é um "tiro no pé" da própria cosmovisão deles.

(2) A segunda proposição é auto-contraditória, pois a afirmação de que "a verdade absoluta não existe" é colocada como verdade absoluta. Alguns relativistas, percebendo a contradição, afirmarão que esta proposição("verdade absoluta  não existe") também é relativa. Porém isto não resolve o problema do relativista, porque se é relativa a afirmação de que "a verdade absoluta não existe",  não saberíamos em que contexto  ela seria aceita e aplicada, como também, cairíamos em uma regressão sem fim, e o relativismo já não mais teria como ser justificado. 

(3) A terceira proposição é bastante utilizada em nossas universidades que promovem descaradamente esse relativismo moral, ético e cultural. Mas, da mesma forma que as primeiras proposições, esta tem seus problemas. Primeiramente, se nenhuma cultura pode ser criticada, então nem mesmo culturas que promovem valores contra a integridade humana poderão ser criticadas. Em segundo lugar, mesmo que o relativista assuma o equivoco dessa proposição e reconheça que a integridade humana deve ser sempre preservada, ele ainda teria de justificar  porque o ser humano tem direito a ter sua integridade preservada. Por qual padrão os seres humanos devem ter sua vida e integridade preservadas? Se o relativista utilizar o padrão das convenções sociais, ele estaria, por definição, impondo uma convenção particular de determinada cultura, que  preservar o direito à vida, sobre outra determinada cultura que não preserva este direito. Agindo assim,  o relativista estaria contradizendo a sua própria proposição em análise.

(4)
 O relativismo ensina que  várias pessoas podem chegar a uma conclusão diferente sobre determinado fato, e que isto, por definição, favorece a ideia de que não existe uma verdade objetiva universal, mas que existem verdades particulares ou subjetivas.  Entretanto, o fato da existência de culturas com seus divergentes valores morais e éticos não é a comprovação de que o relativismo é autêntico. As diferenças de valores morais e éticos apenas comprovam "divergências" de valores, nada mais. Além do mais, poderíamos retrucar afirmando que "muitas pessoas podem divergir sobre algo, mas que isto não anula a possibilidade de que apenas uma delas esteja correta e as outras erradas".  Sendo assim, a quarta objeção não faz o menor sentido; ela é uma conclusão precipitada.

A verdade clara que muitos relativistas insistem em não querer enxergar é o fato de que eles não tem um bom fundamento para sustentar sua cosmovisão. O relativismo nega  a realidade de uma verdade objetiva e universal; esta negação é a causa de sua cosmovisão ser irracional e auto-contraditória. Alguns relativistas tem entendido isto, mas muitos deles tem abraçado outra visão de mundo que também não é satisfatória; refiro-me ao cepticismo. O cepticismo se resume na crença de que "a verdade não pode ser conhecida". Só que como o relativismo, o ceticismo é auto-destrutivo, pois também está pressupondo que a sua afirmação "a verdade não pode ser conhecida" é verdadeira. 

É por tudo isto já descrito que surge a necessidade da crença em um Ser que transcende a realidade física e natural. A estrutura da criação demostra a existência deste Ser. Este Ser estruturou toda a ordem cósmica existente; de forma que  o fundamento da realidade se encontra neste Ser que facilmente se faz conhecido. Este Ser deve ser o padrão Absoluto e Auto-autenticado, isto é, um ser racional, lógico e sem contradições em si mesmo. Este Ser só pode ser o Deus Bíblico, que com seus padrões e leis se estabelece como o princípio primeiro e último que dar sentido a toda a realidade. É Ele quem define o que é moralmente aceitável ou reprovável. É Ele que fundamenta o direito à integridade dos homens . A definição dos termos e das coisas não vem dos homens, mas do Deus que é superior e criador dos homens. Este Deus é o padrão e fundamento primeiro e último, auto-autenticado, pois não existe um ser superior a Ele. Este Deus se auto-justifica, quando diz "Eu Sou o que Sou"(Êx 3:4). E também quando diz: " Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus"(Is 45:5). As divindades de outras religiões não podem ser o fundamento da realidade, visto ser elas divindades que contradizem umas às outras. A racionalidade do cristianismo joga por terra quaisquer filosofias e cosmovisões existentes.

Observação: Não ofereceremos neste texto uma defesa exaustiva do cristianismo ou do Deus bíblico em comparação com outras filosofias e religiões em particular. Faremos isto em uma outra oportunidade. A preocupação do texto é de apenas demostrar a irracionalidade do relativismo.

Por último, não é precisa ser  teólogo ou especialista bíblico para entender que a cosmovisão relativista é totalmente antagônica ao cristianismo. Cristãos que buscam esta conciliação são desobedientes ao testemunho de Cristo descrito em João 14:6. As razões para se rejeitar o relativismo já foram expostas, cabe ao cristão sincero abraçá-las. O convite se estende ao não-cristão; o cristianismo bíblico é capaz de satisfazer o intelecto de qualquer estudioso sincero que almeja conhecer a verdade.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues