sábado, 27 de dezembro de 2014

O que penso sobre o decreto da queda




De acordo com a bíblia, Deus é aquele que "faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade"(Ef 1:11). Isto é, nada do que acontece, acontece por sorte ou acaso. Muito pelo contrário, acontece porque Deus assim o quis e decretou(Is46:10).Deus governa até mesmo as nossas decisões(Pv 16:1,21:1). Partindo então destes fatos, trataremos em específico de um assunto que, sem sombra de dúvidas, tem inquietado muitas pessoas. Este assunto é o que se conhece por "a queda de Adão", ou "a queda do homem". As inquietações e dúvidas são: Se tudo acontece porque Deus quer, então a queda de Adão aconteceu porque Deus quis e a causou? Como o homem pôde se corromper sendo que Deus o tinha formado reto e bom? Era Adão totalmente perfeito? Se era, como se corrompeu? Mas se não era totalmente perfeito, por que a bíblia dá testemunho de que tudo o que Deus fez é bom(Gn 1:31), e que o homem era reto em seus caminhos(Ec 7:29)? Enfim, são muitas as dúvidas. Tentarei demostrar algumas posições no que diz respeito ao tema em questão, analisando-as, e por fim, demostrarei como calvinista, a minha visão sobre a queda.


                         Algumas posições divergentes quanto a queda

A primeira posição a ser apresentada é a arminiana. Para os irmãos arminianos, Deus não decretou a queda de Adão no sentido de que Ela deveria ser inevitável. Muito pelo contrário, a queda poderia ter sido evitada, pois Deus dotou Adão de livre-arbítrio. Para esses arminianos, a queda se tornou algo certo  baseado na presciência de Deus, que sabe de todas as coisas e previu esta queda. Inclusive esta seria a posição mais aceita no meio cristão atual. 

Há, entretanto, a interpretação de certos calvinistas que dizem que Deus não somente previu a queda, mas a decretou e causou ativamente. Isto é, Deus conduziu Adão de forma ativa ao pecado. E acreditam desta forma visto que para eles não faz sentido crer que Adão, sendo totalmente reto e bom(Ec7:29), poderia ter pecado à parte da causação divina. Estes calvinistas se baseiam no texto de Mateus 7:17 que diz "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Logo, Adão não poderia ter pecado se o próprio Deus, que controla todas as coisas, não causasse este pecado. Mas, como  Adão pecou, foi então o próprio Deus que causou isto. Nesta visão, a queda também era algo logicamente certo de acontecer. Como também, para esses calvinistas, não faria sentido acreditar em decreto passivo  visto que não há nada que Deus não cause diretamente. Ou seja, para eles, crer em decreto passivo é crer em dualismo. Isto é, que outras forças governam à parte de Deus.

Já outra boa parte dos calvinistas dizem que a queda foi decretada por Deus, e que não existia a possibilidade dela não ocorrer, visto que fazia parte do plano eterno de Deus que objetivava uma manifestação mais plena de seus atributos tais como a justiça, ira,  graça, amor e misericórdia. Entretanto, este decreto é passivo, isto é, Deus decretou permitir a queda. Este decreto passivo não tem nada a ver com a visão arminiana acima, pois como já dito, para o arminiano a queda poderia não ter acontecido. Porém, na visão calvinista de decreto passivo, a queda seria inevitável, pois Deus já havia a decretado antes da fundação do mundo pelas razões já ditas acima.  Nesta visão, Deus antes da fundação do mundo, quis por sua vontade permitir que Adão caísse. E que antes da queda, Adão tinha livre-arbítrio, isto é, a capacidade de continuar em seu estado de retidão e obediência. Para esses calvinistas, há um mistério em como Adão sendo reto e bom, pôde ainda assim pecar. E usam o mesmo argumento dos primeiros calvinistas, ou seja, que uma árvore boa, dará bons frutos, e não frutos ruins.  Entretanto, estes calvinistas não aceitam a interpretação dos primeiros calvinistas que dizem que Deus conduziu Adão ativamente ao pecado, é por isso que creem em decreto permissivo. Ou seja, Deus simplesmente não segurou Adão dando a ele a graça sustentadora; e por não ter dado esta graça, só restou a queda,e foi isto que Deus permitiu.

  Minha interpretação particular como resposta às três visões acima.

Particularmente a minha visão(que na realidade não é somente minha, mas é defendida por vários calvinistas) contém semelhanças com a interpretação dos calvinistas que adotam a visão de decreto passivo da queda, porém com algumas diferenças. Por exemplo, a minha visão é que Adão nunca foi livre de Deus, logo não existia a possibilidade de Adão não pecar. É ilógico crer que Adão tinha livre-arbítrio no sentido de que poderia não ter pecado, e ao mesmo tempo crer que a queda deveria ocorrer. Ora, se a queda deveria ocorrer, Adão teria de pecar. No máximo, a única coisa que podemos dizer é que Adão,antes da queda, não era preso ao pecado; o que não quer dizer que ele era livre dos decretos de Deus. Entretanto não creio que a queda foi decretada ativamente no sentido de que Deus fez Adão pecar. Como um calvinista infralapsariano, eu creio que a queda foi passiva no sentido de que Deus restringiu o poder sustentador que faria com que Adão não pecasse. Sem este poder preservador, Adão caiu por sua própria vontade. Isto se chama decreto permissivo no sentido de que Deus retira a graça, e permite Adão cair. É claro que até mesmo nessa visão Deus tem sua parcela de participação na queda; entretanto é uma participação mais passiva do que propriamente ativa. Deus não faz Adão pecar, mas contribui para que ele peque. 

Os calvinistas que creem em um decreto ativo, onde Deus causa diretamente o pecado de Adão, contradiz a nossa visão dizendo que "Adão era uma árvore boa, e árvore boa só dar bons fruto, logo não era preciso Deus restringir a graça sustentadora, pois independente dela, Adão por ser totalmente bom não pecaria. Mas só caiu, porque Deus causou ativamente esta queda". Ora, é bom lembrar que Adão mesmo bom e reto, não era imutável.  De fato uma árvore boa só pode dar bons frutos; entretanto não nos esqueçamos que a árvore boa só é boa porque Deus, através de sua graça sustentadora, a conserva como boa, e por ser boa, dar bons frutos. Logo, Adão mesmo sendo considerado reto, só poderia ter sido conservado em retidão se Deus o tivesse sustentado nesse estado. Entretanto, Deus retirou dele a sua graça, e ele por si mesmo caiu. Ademais, não seria necessário Deus ter causado ativamente o pecado de Adão, visto que Adão, mesmo sendo reto e perfeito, ainda assim era dependente de Deus para não pecar. Agora se crermos que Adão, por ser bom e totalmente reto por si mesmo jamais pecaria, isto em outras palavras significa dizer que Adão era independente de Deus para permanecer perfeito. Isto é um grave desvio, visto que a bíblia é clara em dizer que "sem Deus, NADA podemos fazer"(Jo 15:5).

Já com relação a dualismo, tal acusação não faz muito sentido. Não há dualismo no decreto passivo da queda visto que Deus, neste tipo de decreto, tem o total controle das coisas. Ademais,não há uma luta entre o bem e o mal. Não existe, no decreto passivo, duas forças que disputam pelo domínio absoluto. Não, o que existe é um Deus reinando e sendo absoluto até mesmo sobre o mal. O que há é um Deus que, através de sua providência, governa todas as coisas.

Mas a pergunta é: Se Deus não causou o pecado de Adão, de onde surgiu, sendo ele(Adão) perfeito e reto, o desejo pecaminoso em seu coração? 

Ora, da própria restrição da graça. Quando Deus restringiu a graça , Adão que outrora era uma árvore boa, deixa de sê-la, e quando deixa de sê-la, peca. A perfeição estava atrelada à graça sustentadora; não existe perfeição sem Deus. O homem é totalmente dependente de Deus para continuar sendo até mesmo perfeito. Será assim até mesmo no céu, mesmo perfeitos dependeremos da sustentação de Deus(Ap 7: 17, 21:23,24).

Também não podemos esquecer de conceder  resposta a visão arminiana sobre a queda. Como já demostrado acima, os arminianos afirmam que a queda poderia não ter acontecido, pois a Adão foi entregue o livre-arbítrio, e sendo assim, poderia ter pecado ou não. Ora, tal visão por mais agradável que seja, não afasta Deus da realidade da queda. Na verdade este pensamento também tem seus problemas. Ora, Deus por ser onisciente sabia que Adão cairia se desse a ele o livre-arbítrio, sabendo Deus disso, por que foi em frente e entregou o livre-arbítrio que seria a causa da desgraça deste homem? Observe que até mesmo no arminianismo Deus tem a sua parcela de participação na queda. Participação no sentido de conceder ao homem aquilo que o levaria a queda. Além do mais, a visão arminiana da queda, por ensinar que existia a possibilidade de Adão ter escolhido o bem, faz do homem o soberano sobre suas próprias decisões. Na visão arminiana, o homem, através de um suposto livre-arbítrio, é quem dirige os seus próprios caminhos e as suas próprias decisões. Porém tal ensino é contrário a textos  como estes:

"Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem do homem que caminha o dirigir os seus passos". (Jeremias 10:23)

"Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua". (Provérbios 16:1)
                                                     

Observação : É sabido que Deus havia dado uma ordem para que Adão não comesse do fruto, nenhum calvinista nega isto. Entretanto, tal ordem é referente apenas ao aspecto prescritivo da vontade de Deus. Isto é, aquilo que Deus estabelece como ordenança. Na bíblia nem sempre a vontade de Deus em ordenar é referente a sua vontade em decretar que aconteça. Para um melhor entendimento desta questão, recomendamos o texto :" Respostas à algumas objeções contrárias à doutrina da graça irresistível".
                                                   

                                                    Conclusão

Diante de tudo o que já foi escrito, podemos afirmar que a escritura, de fato, tem seus mistérios insondáveis. E por este motivo, é preferível não querermos limitar Deus à nossa lógica caída e manchada pelo pecado. Podemos dizer então que: a queda fora decretada por Deus para uma maior manifestação de sua glória e atributos, o que não quer dizer que Deus dependa do pecado para ser magnificado. Deus é Deus antes de qualquer coisa, e já era glorificado como Deus muito antes da queda(Sl 90:2). Como também que a queda de Adão ocorreu de forma passiva, o que não nega o fato de que ela inevitavelmente iria ocorrer. Que Deus tem participação no sentido de que restringiu a graça em Adão; porém Adão pecou por si mesmo. E que tudo isto estava dentro do soberano e  bom propósito de Deus.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O calvinismo e as condições para a salvação



Se ouve constantemente entre os menos esclarecidos, pra não dizer mal intencionados, que o calvinismo nega ou desconsidera o fato bíblico de que existem condições para que a salvação torne-se efetiva. Para os críticos do calvinismo, em especial arminianos, textos bíblicos tais como Jo 3:16-18, 3:36 entre outros, que expressam o dever humano de crer em Cristo, demostram que a salvação está condicionada à vontade ou a decisão do homem. Pois é, para estes críticos só há condições para a salvação quando estas estão condicionadas à vontade humana. Sem falar que outros ainda vão mais longe e dizem : "se o calvinismo ensina uma predestinação e eleição incondicionais, logo, por exemplo, não haveria a necessidade de se crer(ter fé) em Cristo".

Mas, e aí? Será mesmo que tais textos ensinam que a salvação está condicionada à decisão do homem? Será mesmo que a escritura ensina que a salvação depende de mim? Qual seria o real sentido destas condições à luz da escritura? Isto é o que veremos!

"Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.” (Jo 3:36)

"Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no Nome do Filho unigênito de Deus". ( Jo 3:18)

Estes dois textos, de acordo com a visão arminiana, significa dizer que a salvação é condicionada à minha decisão. Sou eu que selo o meu próprio destino eterno; sou eu quem sou o "soberano" sobre o meu destino eterno, e não Deus. Na visão anti-calvinista a salvação é condicional. A eleição, o chamado, a fé, a justificação e a glorificação, estão condicionados ao livre-arbítrio humano. Então as condições para a salvação, numa ótica arminiana, estariam baseadas no livre-arbítrio e não na decisão soberana de Deus.

O calvinismo, entretanto, não nega a existência de condições para que o homem seja salvo. A questão é que as condições para a salvação, que são: eleição, regeneração, arrependimento, fé, justificação e glorificação, são ações milagrosas operadas pelo próprio Deus. Então, calvinista nenhum nega que o homem deve estar enquadrado nestas condições para que alcance a salvação. Cremos que a fé é uma condição não no sentido de que ela está condicionada à uma ação minha(como crer o arminianismo) mas sim à uma ação do próprio Deus. E esta ação divina é o que denominamos de a eterna eleição e predestinação. A fé é uma condição ou meio que Deus soberanamente estabeleceu para salvar aqueles que escolheu e predestinou. Deus decidiu estabelecer requisitos( que no dicionário significa: Condição que se deve satisfazer para alcançar certo fim) para que a eleição dos escolhidos fosse confirmada no decorrer da história. Os requisitos são INCONDICIONAIS no sentido de que Deus os estabeleceu sem estar condicionado às ações de ninguém.

Na verdade estas condições referem-se ao estado ou condição de uma pessoa. Deus escolheu certas pessoas para que elas vivessem em um estado de credulidade em Deus. Em outros termos, podemos dizer que Deus condicionou( regulou/submeteu) os eleitos na fé para a salvação, o que é contrário de condicionar por causa da fé para a salvação(crido pelos arminianos)

De sorte que : o homem só será eleito SE Deus o eleger, só será regenerado SE Deus o regenerar; só terá fé SE Deus lhe der a fé; e só será salvo SE Deus o salvar. Ou seja, as condições estão condicionadas à soberania divina, e não à vontade do homem. Em outras palavras, Deus decidiu que alguém só seria salvo SE fosse eleito por Ele; só seria regenerado SE recebesse a regeneração advinda Dele; e só teria fé SE recebesse a fé da parte Dele.

Logo, entendemos que as condições(estado) para alguém ser salvo seriam:

1. Ser um eleito(antes da fundação do mundo)
2. Ser regenerado
3. Ter fé em Cristo
4.Arrepender-se
5.Ser justificado
6. Ser glorificado

Dito tais coisas, concluímos dizendo: Que o calvinismo não nega a necessidade do "crer" para que haja a salvação, mas isto em um sentido temporal. Em um sentido atemporal, os eleitos já foram escolhidos antes da fundação do mundo. Que a fé é somente a ratificação desta eleição(antes da fundação do mundo) no decorrer da história. E que as condições estabelecidas por Deus para a salvação são INCONDICIONAIS, no sentido de que não estão baseadas ou condicionadas às decisões e ações humanas. Mas ao mesmo tempo são também condicionais pois estão baseadas e condicionadas à  sua própria soberania e poder.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Em que sentido Cristo é o único Pastor e Mestre?




É de se notar o grande  crescimento de crentes que sentem mal-estar quando alguém que, respaldado pela escritura, denomina a outrem de "mestre" ou "pastor". É que para tais cristãos, estes termos, quando são dirigidos à homens, passam a ser  "títulos humanos sem o amparo da escritura", e que tais títulos "definem tais homens como superiores aos demais crentes". E, na tentativa de fundamentarem tais ensinos, se utilizam de textos fora do contexto, e ainda por cima terminam relativizando a escritura. Como consequência disto, muitos irmãos sinceros tem cedido  a tais pensamentos, sendo então levados a desconsiderar todo o contexto bíblico que trata do assunto de forma correta. Apresentarei então, dois dos textos mais utilizados por estes inimigos dos dons ministeriais, e veremos se tais críticas procedem.

1. texto : "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." Jo 10:16

O argumento baseado neste texto é : "Se haverá um só rebanho e um só pastor, isto significa que não existem pastores, mas somente UM PASTOR, e este é Cristo". 

Resposta  : Quando a bíblia diz que Cristo é o único pastor, ela refere-se a um sentido mais específico. É no sentido de que Cristo é o "pastor dos pastores", e que só Ele é o cabeça e o dono da igreja(Ef  1:22, 5:23, Cl 1:18). Ou seja, somente Ele é o SUMO PASTOR como diz Pedro na sua primeira carta, no capítulo 5:4. Somente Cristo é o SUMO PASTOR; não existe outro SUMO PASTOR. E Para entendermos melhor isto, se faz necessário voltarmos ao Antigo Tesamento. Por exemplo, no Antigo Testamento existiam os sacerdotes e o Sumo sacerdote(Ex 3:1). Este último, de acordo com a escritura, seria a tipificação de Cristo como diz o escritor aos Hebreus no capítulo 9:11; enquanto que os sacerdotes tipificam os pastores e crentes em geral,  visto que hoje, da mesma forma que eles(sacerdotes), todos os salvos tem acesso direto à Deus(Hb 4:16). Então entende-se  que, quando se diz que Cristo é o único Pastor, se quer dizer que Ele é o único SUMO PASTOR, pois somente Ele governa a igreja(pastores e crentes no geral), tal como o sumo sacerdote que era o principal dos sacerdotes de Israel.

No entanto, entendemos que este único SUMO PASTOR, quis por sua vontade, preparar líderes e pastores que, debaixo de sua autoridade,   apascentariam o seu rebanho. Tal instituição fora predita pelo Espírito Santo através de Jeremias quando disse "dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência(Jr 3:15). E não somente predita, mas confirmada no Novo Testamento quando Cristo chama Pedro para apascentar as ovelhas.

"E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: APASCENTA AS MINHAS OVELHAS.(Jo 21:15)".

O Apóstolo Paulo demostra que Deus confirmou tal predição quando, em suas cartas, deixa claro a  instituição de líderes que, sob à  autoridade de Cristo, serviriam a igreja.

"Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens. 1 Coríntios 4:9

"E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 1 Coríntios 12:28

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Efésios 4:11

Então, se considerarmos a inerrância das escrituras, não haverá a mínima possibilidade de rejeitar o claro ensino bíblico de que Deus pôs na igreja líderes para servi-la. Em outras palavras, a única forma para continuar rejeitando este claro ensino é relativizando as escrituras e em particular os versículos que comprovam o que estamos defendendo. Só que tal ação  não faz sentido nenhum, afinal, se tais textos - que demostram claramente o ensino de que o Senhor preparou líderes para a sua igreja - foram alterados, como esses falsos crentes podem garantir que os versículos que APARENTEMENTE apoiam a tese deles "também não foram adulterados"? Ademais, quem são esses tais crentes para dizer qual passagem da escritura  é autêntica ou não?

É então de se notar que, tais cristãos que ousarem relativizar passagens que comprovam que o Senhor pôs líderes na igreja, não poderão garantir que as passagens APARENTEMENTE ao seu favor também não foram adulteradas. Como você ainda pode citar textos da bíblia sendo que, para você, tal livro se encontra adulterado? O que garante a você, crente relativista, que os textos que você "gosta" também não foram adulterados? A verdade é que tais liberais só creem naquilo que querem crer,  e não no evangelho em sua plenitude. Assim sendo, só faz sentido utilizar da escritura quando se crê que a mesma é autêntica ou fidedigna. Pois, se a mesma foi adulterada, isto implica dizer que a verdade se perdeu , o que também implica dizer que as portas do inferno prevaleceram contra a igreja. Logo, o que garante que a igreja  ensina um autêntico e verdadeiro evangelho, sendo que este foi adulterado? Em outras palavras, podemos dizer que a igreja está baseada em algo incerto e adulterado?

Porém, como cristãos bíblicos, sabemos que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a igreja, pois a mesma se encontra fundamentada na Verdade da Palavra, que fora preservada pelo Espírito Santo(2 Tm 3:16,17).

2. Texto :  "Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo(Mt 23:10)."

O argumento baseado neste texto é: " Ora, aqui o texto claramente diz que somente Cristo é o nosso mestre. Logo, ele não pode ter constituído mestres para a igreja".

Resposta:  Levando em conta o contexto da passagem em análise, entendemos que Cristo está alertando os seus discípulos a não serem como os fariseus, que AMAVAM  os títulos de "pais" e "mestres" . O Senhor está  condenando a falta de humildade deles, e alerta os discípulos dizendo que não deveriam almejarem ser maiores que os outros(vers.11). Em outras palavras, o Senhor está condenando  o desejo dos Fariseus de terem para si as  prerrogativas que somente pertencem à Deus. Somente Cristo é o "mestre dos mestres", esta prerrogativa não é de mais ninguém. Somente Cristo é o Senhor dos senhores, esta prerrogativa não pertence a mais ninguém. Então, quando Cristo diz "Nem vos chameis mestres, porque um só é vosso mestre, que é Cristo" o mesmo quer dizer que somente Ele pode ser GLORIFICADO como mestre. Mesmo que haja homens que sejam "mestres" em determinadas áreas do conhecimento, somente Cristo pode ser EXALTADO e RECONHECIDO por ter capacitado tais homens. A prerrogativa da glorificação pertence unicamente a Deus e não a homens; é neste sentido que somente Ele é mestre. Dito isto, entendemos que a preocupação de Cristo é unicamente eliminar a soberba dos cristãos em querer ser melhores e superiores do que os outros.

Entretanto, isto não quer dizer que ele não tenha estabelecido líderes e ensinadores para a sua igreja(Jo 21:15, At 13,1 ,20:17, Ef 4:11, Fl 1:1). Como também,   não é porque Deus escolheu alguém para liderar a igreja, que esta função torna tal pessoa superior aos demais crentes. O real modelo de líder no Novo Testamento é o de servidor, ajudador, edificador, cooperador, etc( Rm 15:25,26, 16:1; Ef 4:12). Negar então a necessidade de ensinadores para a igreja é no mínimo um sinal de ignorância bíblica. Tal necessidade é ratificada quando levamos em conta o fato de que a igreja precisa de ensino e conhecimento para não ser destruída(Os 4:6). É um fato que o conhecimento bíblico vem através do ensino da palavra de Deus. E para isto, Deus tem preparado homens sinceros para que tapem a boca dos falsos mestres(Tt 1:11).

Diante de tais esclarecimentos, podemos concluir dizendo que Deus tem dado a sua igreja homens para liderá-la, e  não reconhecer isto é desconsiderar e relativizar a escritura. Sendo assim, defendo ser bíblica a necessidade  indispensável de tais ministérios, na edificação e no crescimento espiritual da igreja. 

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Respostas à algumas objeções contrárias à doutrina da graça irresistível



A doutrina da graça irresistível é o quarto dos cinco pontos da soteriologia calvinista. É um ensino que está conectado com a Depravação total. Creio que só passamos a entender o conceito de graça irresistível quando levamos em conta a terrível condição do homem após a queda. Esta condição a qual nos referimos não é outra, senão a incapacidade deste homem de, por si mesmo, se salvar. Esta inabilidade é, então, a depravação total, que é o primeiro dos cinco pontos da soteriologia calvinista. O nosso objetivo, no entanto, não é tratar em específico da depravação total, mas sim da graça irresistível, respondendo à algumas objeções contrárias a esta preciosa doutrina. Assim sendo, começaremos definindo o que seria “graça irresistível”, e em seguida responderemos a tais objeções.

                                                      DEFINIÇÃO 

A graça irresistível refere-se a eficácia da graça de Cristo em transformar e regenerar por meio da pregação aqueles que foram incondicionalmente eleitos pelo Pai (Jo 5:21-25, 6:44, Mt 11:25-27, Rm 8:30). Para ser mais claro, podemos dizer que a graça irresistível é a confirmação no tempo da eleição efetuada por Deus antes da fundação do mundo. Como também é a comprovação de que os propósitos Deus jamais poderão ser impedidos ou frustrados pelos seres humanos. Esta graça irresistível (eficaz) é o chamado interno, que é feito pelo Espírito Santo aos eleitos. Este chamado, portanto, se distingue do chamado externo que é feito através da pregação do evangelho (At 16:14, 1 Co 1:24, Rm 8:30). Este chamado interno sobrepuja a resistência do homem que, naturalmente, é depravado e inimigo de Deus. Isto posto, aprendemos que somente este ensino é coerente com a realidade da depravação, pois não haveria outra maneira do homem se salvar, a não ser por um milagre regenerador conhecido por graça irresistível (Jo 1:12-13, 6:44, At 16:14).

                                          OBJEÇÕES À DOUTRINA

Alguns arminianos e anti-calvinistas tem levantado objeções contra esta doutrina. Vejamos duas das principais objeções, seguidas com as devidas respostas.

1ª objeção: “A graça irresistível é um erro, pois implica dizer que Deus concede a graça salvífica apulso, por força ou violência, para os tais eleitos”.

Resposta: Tal objeção não faz o menor sentido. Por que? Simples, quando se usa expressões tais como “salvar na marra, apulso ou por violência” isto implica em resistência ou relutância da parte de quem, no momento, está sofrendo a ação. Mas a graça irresistível não ensina que, enquanto Deus está regenerando, o homem se encontra resistindo a tal regeneração, como se Deus dissesse “eu estou neste momento te transformado”, e o homem replicasse “não, não, pare com isto”. Claro, bem sabemos que o homem não-regenerado é inimigo de Deus e a resistência às coisas de Deus é algo comum em sua vida. Porém a resistência natural deste homem às coisas de Deus é anterior ao momento em que a regeneração está sendo efetuada. Em outras palavras, não há resistência à obra regeneradora no momento em que ela está acontecendo; a resistência é anterior ao momento. A resistência é ao chamado externo, ou a pregação. Deus salva eficazmente, de uma forma tão gloriosa, que em momento algum a vontade do homem é violentada. Simplesmente há uma mudança no coração do homem. Deus, milagrosamente, transforma o coração de pedra, que é naturalmente indisposto a crer, em um coração de carne que é disposto a crer. Este milagre é maravilhosamente descrito pelo profeta Ezequiel.

“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.” (Ez 36:26-28)

Mas se mesmo depois de o arminiano ter lido esta argumentação, e continuar afirmando que a graça irresistível é inconsistente, visto que “violenta a vontade humana”, eu poderei também dizer que o arminianismo, com a sua incoerente regeneração parcial, também sofre do mesmo problema. No arminianismo, os homens são incapazes de crer, e por serem incapazes, Deus tem regenerado parcialmente os homens que são alcançados pelo evangelho, e faz isto sem considerar a escolha dos homens de quererem ser ou não regenerados parcialmente. Ora, como alguém foi “transformado parcialmente” sem “nunca ter pedido tal transformação” e mesmo assim não ser uma transformação que violenta a vontade da criatura? Se Deus não considerou a liberdade da criatura, foi na marra que Ele a regenerou parcialmente? A regeneração parcial é uma graça preparatória dada por Deus aos homens de uma forma que violenta a vontade desses homens?

E não fará sentido o arminiano dizer que Deus concedeu a regeneração aos homens, visto que estes escolheram recebê-la. Por que? Simples, no arminianismo é impossível “escolher” sem antes ser regenerado parcialmente. Os arminianos acreditam em livre-arbítrio libertário, isto é, um arbítrio que tornou-se livre após a ação da regeneração parcial.

Observação: Qualquer bom entendedor saberá que não estou dizendo que o arminianismo ensina uma regeneração parcial na marra. E eles podem até mesmo usar o nosso argumento acima para defender que não há violência nenhuma da parte de Deus sendo dirigida a vontade humana. Então, a minha questão é dizer que: se há incoerência com a graça irresistível, então há também com a regeneração parcial arminiana. 

2ª objeção: “A graça irresistível é falsa, pois a bíblia claramente ensina que muitos tem resistido a graça de Deus”.

Um versículo muito utilizado pelos arminianos na tentativa de sustentar esta objeção é Atos 7:25. Vejamos o texto: 

Atos 7:25 “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo ; assim, vós sois como vossos pais”. 

Resposta: Primeiramente, levando em conta todo o contexto do versículo, o “resistir ao Espírito Santo” aqui é primeiramente uma referência aos Israelitas, que assim como os seus pais, que constantemente rejeitavam os anúncios e ordens dos profetas do Antigo Testamento (que foram incumbidos por Deus de anunciarem o arrependimento, mediante os preceitos descritos na Lei), eles agora resistiam da mesma forma a ordem de arrependimento, dada pelos evangelistas e apóstolos, mediante a pregação do evangelho.

Em segundo lugar, para entendermos que o texto não ensina que a vontade de Deus pode ser frustrada pelo querer humano, se faz necessário expor os dois aspectos da vontade de Deus, tais como: o “prescritivo e o decretivo”. O primeiro é uma referência aquilo que Deus quis que seriam os seus mandamentos; estes mandamentos são constantemente resistidos. O segundo é com referência ao plano eterno de Deus; aquilo que Ele soberanamente decidiu fazer ou decretar. Tendo então esta distinção em mente, entendemos que o problema aparente do versículo em questão é solucionado. Vejamos então o que a Escritura nos revela.

Na Bíblia vemos Deus decretando algo que Ele, em seus mandamentos, não ordena. Por exemplo, Ele de forma nenhuma, em seus mandamentos, ordenou Pilatos, Herodes, os Judeus e gentios, matarem à Cristo. Muito pelo contrário, Ele em seus mandamentos diz “não matarás” (Ex 20:13) Porém, sabemos que a mesma Escritura nos revela que Ele decretou a morte de Seu Filho juntando todos estes personagens “para fazerem tudo o que a Sua mão e conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer” (At 4:28). Ou seja, neste versículo fica claro que Deus decretou a morte de Cristo, e isto usando meios. E os meios são os próprios os homens os quais Ele ordena “não matarás”.

Em Ex 20:16 Deus, em seus mandamentos (aspecto prescritivo), condena de forma clara a mentira. Porém Ele mesmo enganou um profeta (aspecto decretivo) em determinada ocasião para o cumprimento de seus propósitos (Ez. 14:9,10). E também fez o mesmo com Acabe, quando “pôs o espírito de mentira” (aspecto decretivo) na boca dos profetas para enganá-lo, dizendo que ele (Acabe) venceria a batalha, sendo que isto jamais aconteceria (1 Rs 22:19-23).

Em Ex 4:21-23 o Senhor ordena que Faraó (aspecto prescritivo) “deixe o povo de Israel ir”. Mas no cap. 8:1 o Senhor diz que endurecerá o coração de Faraó (aspecto decretivo) para que “não deixe ir o povo”. Ou seja, Deus decretando algo que Ele nunca ordenou.

Cristo, em Mc 16:15, nos ordena pregar o evangelho a toda a criatura (aspecto prescritivo). Entretanto, nem sempre é de sua vontade que isto aconteça (Tg 4:15), como é o caso de Paulo e seus companheiros que foram impedidos, pelo Espírito Santo, de pregar o evangelho na Ásia e Bitínia (At 17:6,7).

A ordem de Deus (aspecto prescritivo), era que os irmãos de José deveriam amá-lo e não vendê-lo como escravo. Porém, o próprio José diz “Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito” (Gn 45:8).

Existem vários outros textos na Bíblia que comprovam estas verdades. Mas creio que estes são suficientes para comprovar o que estamos defendendo.

Diante destes exemplos, e do claro ensino bíblico da vontade de Deus, entendemos então que o “resistir ao Espírito Santo” não quer dizer que Deus desejava salvar alguém e este alguém frustrou os Seus planos. O texto fala simplesmente do aspecto prescritivo da vontade de Deus que é “ordenar a todos os homens o arrependimento” (At 17:30). Isto é, Deus desejou que os profetas e apóstolos pregassem o arrependimento, o que não quer dizer que Deus queria o arrependimento dos que jamais se arrependeriam. O ato de resistir aos profetas significa resistir ao aspecto prescritivo da vontade de Deus; aspecto este que tinha como único objetivo ORDENAR O ARREPENDIMENTO. Em última instância, o que há no texto é um “resistir da ordem para se arrepender” e não um resistir “à vontade de Deus para salvar”. Há uma enorme diferença entre “Deus querer ordenar o arrependimento” e “querer salvar”. Na Bíblia, em certas ocasiões, a ordem de arrependimento feita por Deus através da Lei e do evangelho, tem a finalidade de endurecer ainda mais o réprobo (Is 6: 9-11, Mc 4:11,12, 2 Co 2:15-18).

Dito essas coisas, podemos então entender que os dois aspectos (prescritivo e decretivo) da vontade de Deus resolvem o dilema do texto em questão. Logo, os interpretes que insistem na ideia errada de que a vontade de Deus pode ser frustrada pelo querer humano, terão problemas com textos tais como: 

“Bem sei eu que tudo podes, e NENHUM DOS TEUS PROPÓSITOS podem ser impedidos”. (Jó 42:2)

Para o arminiano, Deus tem um propósito, um desejo e um anseio pela salvação de todos os homens. E como Deus quer a salvação de todos, o Espírito Santo faz de tudo para convencer todos os homens. Porém, tais ensinos vão de encontro ao que Jó, inspirado pelo Espírito de Deus, afirmou aqui. O servo de Deus deixa claro que, se Deus tem um propósito ou um pensamento, Ele fará conforme o que pensou. Então, se Ele pensou em salvar, Ele de fato salvará. Mas como nem todos são salvos, conclui-se que Ele nunca pensou em salvar a todos.

“O Senhor dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.” Isaías 14:24

Novamente a Escritura, através de Isaías afirma que o que Deus deseja e pensa, Ele faz. Os decretos divinos não estão sujeitos às ações dos homens como ensina o arminianismo. 

“Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” Isaías 55:11 

Aqui a Escritura dá testemunho da eficácia da palavra de Deus, quando afirma que a mesma alcançará os resultados que Deus quer. Ora, se eu digo que por Deus ordenar o arrependimento de todos, Ele objetiva com isto a salvação de todos, logo tais objetivos não foram atingidos. Afinal, nem todos foram ou serão salvos. Entretanto, está claro que Deus faz toda a sua vontade, sendo assim, a graça salvífica ou irresistível não pode ser frustrada.

“Eu anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; Eu digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10).

Mais uma vez fica evidente o fato de que Deus fará toda a sua vontade. Se Ele então tem a vontade de salvar a todos, logo todos serão salvos. Então, se insistirmos que é da vontade Dele a salvação de todos, estaremos dizendo que os propósitos de Deus foram derrubados pelo querer do homem. 

                                                     CONCLUSÃO

Penso então que se considerarmos tudo o que já foi escrito, não poderemos continuar crendo no ensino de que Deus pode desejar a salvação de alguém sendo que tal desejo não é concretizado. A graça irresistível é, portanto, uma graça triunfante; ela é a demostração de que Deus é soberano em regenerar os eleitos, objetivando com isto a salvação dos tais. Podemos então concluir dizendo que: a graça irresistível, de forma alguma, prega uma salvação na marra, apulso, ou que viola a vontade da criatura. Que a graça irresistível é a confirmação de que a vontade de Deus é, e sempre será realizada. E que até mesmo o aspecto prescritivo da vontade de Deus que é resistido, é resistido por que Deus em seu decreto assim o quer. De sorte que Deus continua e continuará soberano sobre todas as coisas.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Um pouco sobre o feminismo



O feminismo é um movimento recente que surgiu nos anos 60, uma luta até bem fundamentada no seu início e bastante necessária. As mulheres lutavam por direito a votos, busca por oportunidades de trabalho e coisas desse gênero. Lutas legitimas em uma sociedade quase que totalitariamente patriarcal. Porém esse movimento não parou com a aquisição dos direitos pleiteados. Ela virou uma indústria financiada que defende os interesses de esquerda e pouco luta pelos direitos das mulheres. Hoje a luta desse grupo é em prol dos interesses de quem financia.

Hoje em dia o feminismo virou “femismo”, o oposto de machismo, sua luta é voltada mais em se opor aos homens do que a busca de igualdade. Elas querem se sobrepor, querem ser melhores do que os homens, como se isso fosse uma competição. Talvez o que elas estejam buscando seja uma vingança fria, desmedida e inconsequente.

Em geral as radicais feministas lutam por igualdade de salários no mercado de trabalho, porém poucas ativistas trabalham. A maioria delas vive pela “causa”, pois tem seu sustento assegurado por organizações interessadas em aliados para suas lutas.

Uma das indústrias que financia movimentos feministas no mundo todo é a famigerada indústria do aborto. Sobre o pretexto de defesa dos direito da mulher optar em ter ou não o filho, as feministas levantam uma bandeira pró-aborto, tentando a legalização do mesmo em países que ainda não o aceitam, como o caso do Brasil. Porém o que deve ser entendido é: Não quer ter filhos? Se previna, ao invés de “remediar”. Buscando “direitos”, as feministas estão infringindo o direito dos outros, até mesmo de nascer, lembrando que estão tirando direitos de mulheres, uma vez que cerca de 50% dos fetos poderiam ser mulheres.

Em observância disso gostaria de levantar algumas outras questões. Apesar da desigualdade que existe entre homens em mulheres, os homens recebem algumas imputações um tanto quanto desfavoráveis. Observemos a guerra, é uma das maiores atrocidades da humanidade, e quem participa ativamente delas? Os homens, pois as mulheres não são obrigadas ao alistamento compulsório como é o caso masculino. Nessa hora não consigo ouvir nenhum coro feminista por: “Queremos ir para guerra”. Outra situação que vale a pena levantar é a questão da aposentadoria. As mulheres necessitam de um numero menor de anos para aposentar, e segundo as estimativas, elas vivem mais. Em observância disso às mulheres contribuem menos, e desfrutam mais dos benefícios. Novamente não consigo ouvir o coro feminista lutando por igualdade.

Várias outras situações poderiam ser levantadas aqui, mas acredito que não carece, para não ser exaustivo.

Portanto, você, mulher cristã, não entre nesse emaranhado feminista que luta por privilégios e tem sua causa vendida. Antes analise a palavra de Deus e observe o que ela trata como papel da mulher nesse mundo, quais seus direitos e deveres.

Ao contrário dos que muitos pensam, a bíblia não é machista. Ela coloca todas as responsabilidades de conduzir o matrimonio, de proteção e sustento familiar nos ombros dos homens, tratando a mulher como uma lady a quem o homem deve cortejar, sustentar, amar, respeitar e proteger.


Nota do moderador : Este texto é o quinto de uma série de artigos denominados de "Alerta VERMELHO aos estudantes do Ensino Médio"(A Ameaça Marxista), que tem como autor o Vinícius Corrêa. Para ler toda a série, acesse a fonte :http://jovensfieis.com.br/category/series/a-ameaca-marxista/

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Jesus não era Comunista



Cristianismo – Baseado na Bíblia

1 A favor da autoridade, mas autoridade legitima e não totalitária. Ver Romanos 13.
2 Pró-liderança e hierarquia. Jesus deixa a função de líder da Igreja para Pedro. Ver Mateus 16. Existencia de Bispos e diáconos na Igreja Primitiva (Ler cartas de Paulo). Não há pregação para acabar com os ricos e os pobres, e sim para se viver bem com todos em amor, justiça e buscar riqueza espiritual.
3 Pró-transcendentalismo. Não materialista (desapego material, valor humano acima de qualquer coisa ver Marcos 10 ou Matheus19 – e amor ao próximo).
4 Não propoe ganho material e sim ganho espiritual. Pobreza como voto de amor a Jesus: ganho e riqueza espiritual. Ver Marcos 10, 2 Coríntios 8
5 Doações de bens para a Igreja era voluntária e não compulsiva. Vivencia de comunhão e não comunista. Ver Atos dos Apóstolos 2
6 Não prega o fim da desigualdade social (exemplo: Êxodo 30:15) e sim o amor aos pobres (e a todos), pois todos fazem parte da família de Cristo Ver I Coríntios 7 e 9. Pregada igualdade em Cristo e não a igualdade social.
7 Para o cristianismo sempre haverá pobreza (ver João 12). Pobreza como condição natural do ser humano e deve ser
amenizada através da caridade, partilha e trabalho. Não pretende acabar com a desigualdade social.
8 O paraíso cristão é espiritual.
9 Não é contra o dinheiro, nem contra a propriedade privada. Ver Deuteronômio 5
10 “Dai a Cezár o que é Cezár e a Deus o que é de Deus”. Matheus 22, Marcos 12 e Lucas 18. Separação entre Igreja e Estado. Laicidade e não-revolucionário (nessa passagem Jesus é a favor dos impostos).
11 Fundado no amor ao próximo e amor a Deus, e nos mandamentos divinos (não matarás entre eles). Ver Mateus 22 e Êxodo 20
12 A favor da família tradicional (pai, mãe, filhos e parentes) e a família espiritual (Jesus, Deus e Igreja)
13 Conservadorismo: pró-vida, pró-familia tradicional, anti-promiscuidade, divorcio como pecado, homossexualismo como pecado, pró-religião. Ver Evangelhos e Cartas de Paulo.
14 Acredita em verdades absolutas e imutáveis (mandamentos, pecados, Deus…).
15 Lógica do perdão e da caridade.
16 Baseado no viver bem com todas as “classes”, seja pobre ou rico. Todos são filhos de Deus.
17 Mandamentos:
- Não matar
- Não adulterar
- Não roubar
- Honrar pai e mãe
- Amar o próximo
- Amor a Deus
- Não dizer falso testemunho
18 Vamos comparar o ícone máximo do Cristianismo com o ícone máximo do Comunismo: Che Guevara – assassino, matava crianças, odiava gays, negros e índios. Jesus – nunca matou ninguém, amava as crianças pois delas é o reino dos céus, pregava o amor, condenava o pecado, mas não julgava ninguém pela aparência.

Socialismo e Comunismo – Baseado em Marx, Georg Lukacs, Antonio Gramsci, Escola de Frankfurt, a realidade histórica (URSS, China, Cuba, etc), e a realidade marxista atual (Brasil, Venezuela, Foro de São Paulo, ONU etc)

1 Contra a autoridade legitma (democracia), a favor da ditadura do proletariado (totalitarismo) e da revolução armada (Ver Marx). Resultado em Cuba, URSS e qualquer outro país socialista.
2 Anti-hierarquia (as decisões seriam tomadas por todos). Todos viveriam num paraíso onde todos são iguais e não existe classe.
3 Materialista, anti-transcendental. Ver: materialismo dialético e histórico
4 Propoe ganho material igual para todos, sem ganho espiritual. Apego material, pois querem o paraíso na terra. Valor humano menos importante que a revolução.
5 Prega o fim da desigualdade mas só consegue a ultra concentração de renda na mão do Partido, sendo o resto do povo miserável.
6 Quer acabar com a pobreza através do paraiso comunista. A pobreza é culpa do capital. Trabalho é alienação.
Pretende destruir a pobreza e a desigualdade social e isso quer dizer destruir o capitalismo.
7 Fundado na inveja e na desordem e não no amor a Deus. Pobreza não como vontade livre, mas como imposição do Estado.
8 O paraíso comunista é aqui na terra.
9 Contra o capital e contra a propriedade privada.
10 Comunismo é anti-religioso e não laico. Deus no comunismo é o Estado ou o próprio comunismo.
11 Fundado na inveja e no amor a si mesmo. O Comunismo matou mais que qualquer sistema.
12 Contra a família pois é uma aberração burguesa (Ver Manifesto Comunista de Marx, Gramsci e Lukacs), a favor do gayzificação da sociedade e feminismo. Família não espiritual, família comum e material, o Pai de todos é o Estado.
13 Progressismo: aborto, casamento gay, feminismo, promiscuidade (revolução sexual), drogas. (Ideias anti-familia, anti-religião).
14 Não acredita numa verdade. A verdade é o comunismo, o resto é bobagem. Relativista. Influencia de Kant.
15 Lógica da inveja e da vingança.
16 Baseado na luta de classes.
17 Anti-mandamentos – Não importa a verdade, valores morais. Ditadura do Relativimo, a verdade é a revolução/comunismo, tudo é válido em nome do comunismo.
- Matar se isso for necessário para a revolução
- Adulterio/Promiscuidade pois não existe família. A família é o Estado.
- Corrupção se isso for necessário para a revolução.
- Pai e mãe não importam. A Família é o Estado. Honre o Estado.
- Amor o próximo não é possível, até mesmo os amigos revolucionários são assassinados se isso beneficiar a revolução. Existencia de campos de trabalho forçado/concentração.
Pregação do ódio contra Deus e contra a cultura ocidental cristã. Famosa frase de Lukacs: “Quem irá nos salvar da cultura ocidental?”
- Ateismo materialista. Perseguição de Igrejas. Religião como uma super-estrutura alienante e burguesa (ópio do povo). (Ver Marx e estados: URSS, China etc)
- Manipulação direta da população se isso for necessário para a revolução. Ver propagandas de qualquer governo de esquerda.

FONTE: http://portalconservador.com/jesus-nao-era-comunista/

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O homem produz para a sua eleição e salvação?





Constantemente se ouve entre os arminianos a ideia de que no calvinismo o homem também coopera com Deus PARA a eleição e salvação.  Quando o arminiano é confrontado com a objeção de que "no arminianismo o homem e Deus são os autores da salvação pois cooperam PARA a eleição e salvação do homem", ele rapidamente dirá: " mas no calvinismo há também cooperação entre o homem e Deus, visto que o homem precisa crer para ser salvo".  Pois é, para os arminianos, até mesmo a eleição e a salvação no calvinismo é sinergista; isto é, o homem e Deus cooperam no ato eletivo e salvífico. 


Buscarei refutar a afirmação arminiana de que "o calvinismo também é sinergista" levando em conta as visões de eleição e salvação nas duas cosmovisões. 

No arminianismo, a eleição é condicional e se deu antes da fundação do mundo. Ou seja, Deus, antes do tempo, previu a fé de certos homens no decorrer do tempo e escolheu estes para a salvação. A eleição é baseada ou condicionada à fé prevista. Já no calvinismo, a eleição é incondicional e também se deu antes da fundação do mundo. Ou seja, Deus, antes do tempo, sem levar em conta nenhuma ação do homem elegeu para a fé, e não por causa da fé. A eleição é baseada exclusivamente na vontade soberana de Deus. 

Então está claro que, para as  duas cosmovisões teológicas em análise, os homens devem crer(ter fé) para serem salvos.  Mas  talvez alguns, apesar do que foi escrito até aqui, ainda não tenham percebido onde mora a incoerência da argumentação arminiana que diz que o "calvinismo também é sinergista".

Então, onde se encontra a diferença entre uma e outra cosmovisão  no que diz respeito a uma ser sinergista, no caso a cosmovisão arminiana, e a outra ser monergista, no caso a cosmovisão calvinista? Como podemos provar que de fato o calvinismo é monergista? É o que veremos agora!

A diferença entre as duas cosmovisões se encontra justamente no fato de que:

No arminianismo, como já demostrado, Deus elegeu antes da fundação do mundo os que ele previu que teriam a fé. Ou seja, Deus elegeu por CAUSA DA FÉ. Logo, a eleição no arminianismo é de Deus e do homem. De Deus que decidiu as condições(presciência da fé humana) e do homem que confirmou essas condições quando teve fé e passou, por sua escolha,a ser um eleito. Assim sendo, no arminianismo, o homem produz ou produziu PARA a sua eleição. Como também, em determinado momento da presciência de Deus, o homem pôde ser tido como o co-autor de sua eleição. No arminianismo Deus só faz confirmar o que o homem já decidiu para si.

No calvinismo, Deus elegeu incondicionalmente antes da fundação do mundo. Por eleição incondicional não subestimamos o fato de que o " creia e serás salvo"  é necessário para a salvação. Mas isto em um sentido temporal. Em um sentido atemporal, os eleitos já foram escolhidos; e é esta escolha, que se deu antes da fundação do mundo, a causa do “ crer para ser salvo” no decorrer do tempo. Logo, a salvação e eleição  não está e nunca esteve nas mãos do homem, mas nas mãos de Deus que elegeu para a fé Nele. Como também, o homem não produziu ou produz PARA a sua eleição.  A causa da eleição e salvação no calvinismo não se encontra no homem, mas na escolha soberana e atemporal de Deus.

Claro, devemos entender que há uma diferença entre dizer que "o homem produz PARA a eleição e salvação" e que "o homem produz NA eleição e salvação". O calvinismo é sim monergista na salvação; mas, quanto a santificação, muitos calvinistas aceitam um certo tipo de sinergismo.O homem é quem se santifica, não Deus. Mas o homem só santifica-se por ter sido escolhido para isto(Ef 2:10). Sendo assim, o homem não produz PARA a eleição e salvação; no máximo ele produz NA, ou durante a salvação, justamente por ter sido eleito para tais fins. 

É por isso que Paulo diz " operai a VOSSA salvação"(Fl 2:12). Veja, aqui Paulo diz que a salvação já é dos eleitos quando diz "a vossa salvação", mas que mesmo assim devemos operá-la. Ou seja, precisamos operar o que já é nosso e não operar ou produzir PARA a salvação ser nossa.

Fica então claro que o homem não produz PARA a sua eleição e salvação. Pois se assim o fosse, tais homens teriam motivos para se gloriar dizendo : " eu escolhi a Deus". No calvinismo tais motivos não existem visto que, para esta cosmovisão,  Deus é o único que produziu PARA a nossa eleição e salvação.

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues


terça-feira, 13 de maio de 2014

Uma réplica ao Zwinglio Rodrigues



Relutei, mas resolvi replicar as respostas dadas pelo Zwinglio[veja a fonte Aqui] ao meu artigo " A incoerência da graça preveniente e da regeneração parcial no arminianismo". Colocarei as falas do Zwinglio com as devidas respostas abaixo.


ZWINGLIO DIZ : Todo cuidado com o mal entendido é pouco. De fato, a graça preveniente sobrenatural já atua em todos os homens via sacrifício vicário e obra do Espírito Santo enviado ao mundo. No entanto, ainda não se trata da graça preveniente em sua operacionalidade salvífica, coisa que ocorre apenas sob a égide da pregação do Evangelho.

RESPOSTA : Aqui o amado irmão arminiano afirma que há uma graça estendida a todos, até mesmo sobre aqueles que não tiveram a oportunidade de escutar a pregação do evangelho. Ok. Mas já que a graça só opera de forma salvífica sobre os que foram atingidos pelo evangelho queria saber então qual seria a finalidade desta graça ser estendida àos homens que nunca ouviram ou ouvirão o evangelho. Ela tem a finalidade de fazer com que estes homens ganhem benefícios temporais? Se assim for, estou de acordo. Afinal, creio que Deus, através do sacrifício de Cristo, tem garantido benefícios de ordem natural-temporal para todos sem exceção.



ZWINGLIO DIZ : “Regeneração” em Armínio é uma “forma” de regeneração e não a “regeneração” presente em qualquer ordo salutis, estrutura pensada posteriormente a Armínio. Portanto, mesmo que autor do artigo em foco diga que a “regeneração” é parcial para Armínio, é bom entender que “regeneração” não tem o mesmo sentido atribuído ao termo hoje. A palavra “regeneração” em Armíno é usada de modo diverso para indicar várias coisas. Exemplo: a experiência de vivificação do novo homem seguida da morte do velho homem. Sugiro àqueles que desejam objetar às ideias do teólogo reformado Tiago Armínio, cuidado na análise de seus escritos.


Por que faço tal observação? Para que não se conceba a experiência da conversão como um fato estabelecido no excerto arminiano, pois ali o sentido é diferente do modo como calvinistas usam a palavra “regeneração” como antecedente da fé.

Minha antecipação aqui – que julgo ser criteriosa por razões óbvias – tem a ver com o leitor que está lendo minhas considerações.



RESPOSTA :  Sim. Eu sei que a regeneração antes da fé pregada por Armínio não é propriamente a regeneração como hoje denominamos de “novo nascimento” ou "vivificação completa". É justamente por isto que usei o termo “regeneração parcial” . Mas vamos lá, primeiro que não existe qualquer tipo de “regeneração parcial” ou "mudança parcial"  na escritura. Ou o homem é de fato mudado(nascido de Deus)  ou não é. Não existe nenhum tipo de vivificação, transformação ou mudança parcial na bíblia. O arminiano poderá escolher o termo que quiser, mas jamais encontrará respaldo bíblico para um espécie de " regeneração parcial" .


ZWINGLIO DIZ : Tal afirmação é capciosa e não decorre do fragmento de Armínio discutido pelo nobre articulista calvinista. Vou corrigi-la. Armínio nunca defendeu que a salvação está em último plano nas mãos do homem, mas ela é produto inteiramente da graça de divina. A afirmação questionada é presumida e nada mais.

RESPOSTA: Sim. No arminianismo a salvação está nas mãos do homem. A eleição e salvação do homem, na perspectiva arminiana, dependerá do "sim" humano. Negar isto não fará sentido. O homem no arminianismo pode ser definido como o co-autor da eleição. Pois é ele que produz com Deus a sua própria salvação. Deus é o que concede a "graça ajudadora", mas a decisão final está nas mãos do "soberano" homem.

Mas diferente do arminianismo, a cosmovisão calvinista é monergista. Ou seja, a salvação é de Deus do começo ao fim( Hb 12:2). Claro, não negamos que o homem deve crer. Mas, tal ato é resultado da eleição eterna e não o contrário(At 13:48 ). Até porque não somos ovelhas porque cremos, mas cremos porque somos ovelhas(Jo 10 )

ZWINGLIO DIZ : Erro?! “[...] a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ILUMINA a todo homem” (Jo 1:9) não é um erro. Negar o brilho universal desta LUZ é que é um erro. Agostinho, o teólogo de Calvino, cria numa gratia praeveniet estimuladora de todo bem imaginado e desejado pelo homem. Está aí “uma graça estendida a todos”. Poder especial salvífico, repito, apenas pela pregação das Boas Novas de salvação.

RESPOSTA :  Primeiro é preciso esclarecer que  a "Luz que ilumina a todos os homens" nem de longe pode ser entendida como uma prova de que todos os homens da terra estão convencidos de que precisam de Cristo. Pois, e quanto aqueles que nunca ouviram nada a respeito da salvação por Cristo? Será que esta Luz ou graça salvífica é estendida a eles? Claro que não ! Aqui, até o  próprio arminiano, o qual replico, nega a existência de graça salvífica à parte do evangelho quando diz " Poder especial salvífico, repito, apenas pela pregação das Boas Novas de salvação".

Mas eu não nego que Cristo é a luz de todos os homens. Mas em que sentido? Primeiro devemos considerar o estado de depravação e cegueira naturais do homem, e Cristo como sendo a Luz. Agora uma simples analogia : quando falta luz na casa de um cego, e de repente a luz volta, o cego de forma alguma deixou de ser cego; ele(o cego) continua não enxergando mesmo com a vinda da luz. Da mesma forma é o homem que é confrontado pelo evangelho. Cristo é a Luz por meio do evangelho, e o homem é o cego que não consegue enxergar a Luz que chegou até ele.

Calvino também traz uma interessante ilustração a este respeito, vejamos :

"Porque, assim como em sua criação do mundo Deus derramou sobre nós a resplandecência do sol e também nos muniu de olhos para que pudéssemos contemplá-la, também, em nossa redenção, ele resplandeceu sobre nós na pessoa de seu Filho, por intermédio de seu evangelho, mas que seria tudo em vão, uma vez que somos cegos, a não ser que ele iluminasse também as nossas mentes, por intermédio de seu Espírito. De forma que o seu pensamento é que Deus abriu os olhos de nosso entendimento."João Calvino, comentário de 2 Coríntios, Editora Fiel 2008, págs. 116-117.



ZWINGLIO DIZ : Não! Mil vezes, não! O homem deixa a condição de “morto em delitos e pecado” apenas no ato da pregação do Evangelho. Nesse instante a graça preveniente se manifesta de forma poderosa e intensa. Antes disso, os cegos espirituais continuam perambulando pelas avenidas de minha cidade. Depois de ouvirem a mensagem e resistirem-na, retornam ao estado antigo.

Ontem mesmo estive com um que parece não se cansar de resistir ao Espírito Santo. No livro O Alienista, de Machado de Assis, ficamos sabendo, refletindo sobre a experiência do psiquiatra Simão Bacamarte, que “anormal” é a ausência de loucura. Quero dizer que nunca faltarão os loucos que atribuirão ao Evangelho algum tipo de loucura. Maior louco é aquele que entendeu e rejeitou. De acordo?



RESPOSTA: É interessante como o nobre arminiano se esforça para negar o que explicitamente a Escritura ensina. Veja até que ponto ele chega. Ele aqui argumenta que o pecador quando escuta a pregação do evangelho deixa o estado de “morto em delitos e pecados”. Ou seja, para ele antes da pregação o homem está morto, mas quando escutou o evangelho ressuscitou; porém quando negou o evangelho morreu de novo. É um estado de morto-vivo, vivo-morto. Para o arminiano, uma pessoa que escutou o evangelho, por ter sido alvo da regeneração parcial, “não se encontra morta em delitos e pecados” pois entende o evangelho. Mas, quando rejeita o evangelho que entendeu, volta a não entender, afinal, morreu espiritualmente de novo. Existe algo mais sem sentido do que isto?

Quanto ao chamado, a  bíblia  claramente ensina que é interno e externo. O chamado externo, que é através da pregação, não remove a cegueira do homem; quem faz isto é o Espírito Santo no ato da regeneração. Este ato é justamente a transformação do coração e da mente do homem natural. É a entrega de um novo coração; um coração de carne que é disposto a obediência(Ez 37). O chamado interno é o que os calvinistas denominam de "graça irresistível". Ela é irresistível nos eleitos no sentido de que é eficaz e certa. Este chamado ocorre justamente por ocasião do ato do Espírito Santo em convencer aqueles que o Pai elegeu em Cristo para a salvação.(Jo 6:44, 1 Co 1:24, Rm 8:30).

Como também até concordo que é "loucura" rejeitar algo que eu entendo. Mas também não é ilógico crer que o evangelho é loucura para os incrédulos por justamente este evangelho não fazer sentido para eles. De acordo?


ZWINGLIO DIZ : O arminianismo não prega que o Espírito Santo tem convencido a todos.Todos tem ouvido a pregação do Evangelho? Isso é mais que a pregação do Evangelho do reino por todo o mundo.Então é hora do fim, pois no evangelho mateano diz que depois de pregado o Evangelho do Reino a toda criatura virá o fim.Por onde anda o fim?! Já expliquei que a graça preveniente está sobre o homem, mas que ela é intensificada para salvação pela prédica do Evangelho. O amigo calvinista precisa revisar suas leituras.

RESPOSTA: E eu não afirmei que no arminianismo o Espírito Santo tem convencido a todos os homens da terra. O que afirmei foi que "o ensino da graça preveniente leva inevitavelmente a conclusão de que não existem mais os cegos espirituais e que agora todos ENTENDEM O EVANGELHO, pois todos foram alvos desta graça. Ora, se TODOS OS QUE ESCUTAM ENTENDEM ESTE EVANGELHO, onde estão os que acham LOUCURA ESTA PREGAÇÃO? ".

 Ou seja, eu disse que no arminianismo Cristo tem convencido a TODOS sem exceção que ESCUTAM O EVANGELHO. No entanto reconheço que deveria ter especificado melhor no artigo e ter tido feito a distinção de "todos" os que segundo o arminianismo são convencidos.

Mas se eu preciso rever minhas leituras o arminiano precisa urgentemente revisar a leitura da própria Escritura.


ZWINGLIO DIZ: Pensando que entendi o excerto acima, comento. Ora, escutar e dizer que o Evangelho é sem sentido não significa dizer que não foram entendidas a mensagem e suas implicações. Apenas revela objeção e negação de probabilidade que as coisas sejam como o Evangelho diz ser. Para os gregos eles estavam diante de uma insensatez. Judeus e gregos encaravam a mensagem do “Cristo crucificado” por diferentes ângulos.

RESPOSTA : Aqui é bom esclarecer que o "não entender o evangelho" é simplesmente a ratificação de que os homens estão de fato "mortos em seus pecados". Já quando eu digo que eles "entendem" eu só tenho duas opções : ou eles entendem porque estão vivificados, ou por estarem parcialmente vivificados. A primeira opção é biblicamente sustentável, já a segunda carece no mínimo de um só versículo para a sua sustentação.


ZWINGLIO DIZ : Ao longo de minha resposta creio estar deixando claro que o conceito de graça preveniente no arminianismo não é inconsistente, pois ela está amalgamada ao Evangelho que é “o PODER de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” João 16:7-11 é enfático ao dizer que o Espírito Santo “convencerá o mundo (pessoas)” do seu estado de pecado, de merecido juízo e da justiça do Cristo crucificado. Quem fala é o Espírito Santo pelo Evangelho e tal convencimento não pode ser algo de caráter externo. Todos foram chamados como afirma meu interlocutor, porém, a eficácia fica condicionada a não resistência da graça (At 7:51). Em João 16:1 os calvinistas terão que reduzir mundo a um tal de “mundo dos eleitos”, pois apenas assim seu construto soteriológico poderá ter alguma chance de subsistência. No entanto, João usa “mundo” como uma metonímia significando “os habitantes da terra”.

RESPOSTA: Errado. A sua resposta está deixando mais evidente de que a graça preveniente no arminianismo é totalmente inconsistente. E é interessante o arminiano citar que o evangelho é o poder e salvação para todo o que crê. Sim, o calvinismo concorda totalmente com isto. A salvação é para os que creem e não para os réprobos. Também é interessante ele usar o texto de Jo 16 7-11 que diz "que o Espírito Santo convencerá o mundo" e dizer que "os calvinistas terão que reduzir mundo a um tal de “mundo dos eleitos”, pois apenas assim seu construto soteriológico poderá ter alguma chance de subsistência". Ora, mas a redução também é feita pelo arminiano que me replica . Afinal, nem mesmo ele concorda que há convencimento para a salvação à parte do evangelho. Ou seja , só são convencidos os que escutam o evangelho e não todos os homens da terra. Até porque nem todos os homens tiveram ou tem acesso ao evangelho.

 Mas é sempre bom lembrar que, além da pregação do evangelho, se faz necessário o chamado interno, que é justamente o convencimento do Espírito Santo. Ai de nós se não fosse este convencimento; até hoje estaríamos sem entender que o evangelho é o poder de Deus. Assim sendo, nem mesmo no arminianismo a expressão "convencerá o mundo"  é uma referência a todas as pessoas do mundo, mas sim a todos os que foram alcançados pela pregação. Aqui se nota que para o arminiano o termo "mundo" nem sempre significa "todas as pessoas da terra".


ZWINGLIO DIZ: Romanos 8:30 fala sobre o efeito da obra do Espírito na vida dos que foram “conhecidos de antemão” (v. 29). São os salvos por “presciência”. O chamado só é eficaz porque houve arrependimento e fé precedentes e antevistos.Tal chamado é pela prédica do Evangelho sim, pois está escrito: “vinde a mim todos vós que estais cansados, sobrecarregados e oprimidos.” Sempre é pelo Evangelho, é para todos, e o Espírito Santo atua no íntimo de todos.

Apenas os que não conhecem o arminianismo clássico dirão isso. Armínio falou sobre “regeneração” parcial, mas fez isso dando ao termo um sentido lato sempre dependendo do que ele desejava dizer.


RESPOSTA : Aqui o arminiano apela para interpretação que diz que os "conhecidos de antemão" é com referencia a presciência da fé. Tudo isto para dá base a ideia de eleição baseada em fé prevista. Mas vamos lá, primeiro que o termo "conheceu de antemão" não diz que a escolha de Deus é baseada na fé prevista. O termo 'conheceu" significa dizer que Deus "amou de antemão;  "conhecer" significa "amar intimamente". O mesmo termo é usado em Amós 3:2 para referir-se a eleição de israel no passado. O texto diz que "De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; '. É Claro que o conhecer de Deus aqui é "amar intimamente". De todas as nações da terra Deus só amou israel (Jr 31: 13). A escolha de Deus por israel não estava baseada em obediência prevista, muito pelo contrário, a escolha estava baseada no amor de Deus por israel, ou seja, Deus amou israel incondicionalmente(leia Dt 7:7-8).

No novo testamento vemos o mesmo termo diversas vezes. Em 1 Ts 4:5 Paulo diz que " os gentios não conhecem a Deus". É claro que isto é referente ao não-amor dos gentios para com Deus. O apóstolo escrevendo a Tito diz que existia dentro da igreja muitos falsos crentes que diziam " conhecer Deus, mas que negavam com as obras". Ora, o que é  isto senão o falso amor? Aqui está falando de pessoas que diziam ter um 'relacionamento intimo" com o Senhor, mas que as obras mostravam o contrário. Disto conclui-se que "conhecer de antemão" quer dizer que Deus amou de antemão os eleitos. E são estes os quais Ele amou que são alvos do chamado interno e eficaz. No entanto é claro que Deus tem presciência de todas as nossas ações, porém isto é muito diferente de afirmar que Deus elege baseado em alguma coisa ou ação minha. A eleição está baseada exclusivamente no "beneplácito da vontade de Deus" ( Ef 1:5). Já a presciência bíblica está atrelada ao decreto soberano de Deus.(At 2:23, 4:27,28)



ZWINGLIO DIZ : Acima disse que arminiano clássico algum cogita estar a salvação na mão do homem em qualquer plano que seja. A afirmação acima é precipitada; uma perfeita eisegese de qualquer escrito de Armínio que o crítico tenha lido.

Nota-se a estreiteza como o escritor trabalha a questão do sinergismo. Arminianos clássicos são sinergistas evangélicos que admitem apenas uma causa eficiente e uma causa instrumental de salvação, a saber, respectivamente: a graça e a fé. O aspecto meritocrático humano “encontrado” na teologia arminiana fica por conta de pessoas repletas de má vontade hermenêutica. Para nós até a habilidade cooperar com Deus é doada pelo Eterno. Poder, capacidade e eficácia da salvação, como o início o progresso e a confirmação pertencem a Deus. Nada sobra para o homem.


Dizer não ou dizer sim foi, é e sempre será fundamental para se receber qualquer presente, óbvio. No caso do Presente, que está completo e acabado, a mesma coisa.


RESPOSTA: Novamente o arminiano tenta se esquivar das consequências lógicas da doutrina arminiana. Está claro que na soteriologia arminiana a última palavra é a do homem e não a de Deus. É O HOMEM QUEM DECIDE SER ELEITO OU NÃO. E sendo o homem o real confirmador da eleição podemos dizer que no arminianismo a salvação é de Deus e do homem. De Deus que capacita, e do homem que dá a última palavra.

Agora, considerando que o próprio Cristo ensinou que as nossas decisões e escolhas são determinadas pela nossa condição interior quando disse"uma árvore boa dá bons frutos, uma árvore má dá maus frutos"(Mt 7:17) me diga o arminiano o que causa o "sim" ou o "não"(como resposta ao evangelho) de uma pessoa que pela graça preveniente se encontra em estado de neutralidade? Se disser que o que causa o "sim' é a "obediência" o problema continua, até porque a obediência é o fruto de uma boa árvore; ou seja de uma pessoa totalmente regenerada. Se disser que o que causa o "não" é a desobediência teremos problemas também, afinal a desobediência é fruto de uma árvore má; ou seja, de uma pessoa não-regenerada. A verdade é que biblicamente o que causa a decisão da pessoa não é nenhum livre-arbítrio libertário; mas sim a natureza interior do homem. Ou seja, se o homem diz "sim' ao evangelho é porque foi regenerado pelo Espírito Santo(árvore boa), mas quando diz "não" é porque não foi regenerado. NÃO EXISTE MEIO TERMO.

Agora quanto a questão do presente,  realmente uma pessoa não tem mérito em simplesmente recebê-lo, porém o que é dado a pessoa é o presente e NÃO O DESEJO DE TÊ-LO. Logo, uma pessoa que aceitou o presente ao lado de outro que não recebeu poderá dizer : Ei você é um mané, não recebeu o presente PORQUE NÃO QUIS, já eu recebi PORQUE QUIS, EU TOMEI A DECISÃO CORRETA E VOCÊ NÃO . Ou seja, você ainda terá motivos para se vangloriar, por ter tomado a decisão correta e o outro não. Você poderá dizer, veja como fui esperto " eu quis" e ele não!

Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues






quinta-feira, 8 de maio de 2014

Romanos 1:18-21 contradiz a depravação total?




Romanos 1:18-21 é constantemente utilizado por certos intérpretes da bíblia na intenção de objetar a doutrina bíblica da depravação total. Estes intérpretes argumentam que o texto em análise "defende claramente a ideia de que o homem pode, através da criação, entender a vontade do Deus Verdadeiro, como também ser salvo sem mesmo ter ouvido o evangelho". Mas a questão é: será este o verdadeiro sentido do texto ? O Apóstolo Paulo defendia a ideia de que o homem poderia, ou pode ser salvo, mesmo sem nunca ter ouvido o evangelho ? Isto é o que veremos.

Romanos 1:18-21 diz : " Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu."

Em primeiro lugar, o texto em nenhum momento defende a ideia de que todos os homens estão cientes de que o Verdadeiro Deus, é o que é revelado pela Escritura. O texto simplesmente diz que as "coisas criadas" revelam e comprovam a existência de Deus. Mas, por se encontrarem "mortos em delitos e pecados"(Ef 2:5), os homens acabam por interpretar de forma distorcida a revelação de Deus através da criação. O versículo 23 testifica isto quando diz que estes homens "mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis". Tal é a depravação e cegueira do homem natural, que ele acaba por não conseguir entender esta revelação geral de Deus através da criação, e acaba criando ídolos para si.

Em segundo lugar, devemos entender que, se eu defendo a ideia de que todos os homens, através da criação, entendem a vontade de Deus, terei também de admitir que todos os homens estão vivos espiritualmente, e que já não há mas os cegos e mortos espirituais. Só que tais ideias contradizem as Escrituras e o que o próprio Apóstolo Paulo ensinou. Ora, na mesma carta que diz que a criação revela a existência de Deus, afirma também que "Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus. (Rm 3:11). Logo, se acreditamos que a escritura é a inerrante palavra de Deus, não poderemos crer que o texto em análise esteja ensinando a ideia de que "todos entendem a vontade de Deus".

Mas se ainda alguém insiste em defender que todos os homens através da criação entendem que o Deus da bíblia é o Deus Verdadeiro, não precisaríamos do Espírito Santo. Afinal, se a criação por si mesma faz com que os homens entendam a verdade, o Espírito Santo não seria necessário. Mas sabemos que Ele é necessário; pois é Ele que nos convence do pecado, da justiça e do juízo, e não a criação de Deus.(Jo 18:8)

Em terceiro lugar, devemos distinguir as formas de revelações de Deus. Existe a revelação geral e a revelação específica. A primeira refere-se justamente a Deus se revelando através de sua criação; enquanto que a segunda refere-se a Escritura e o próprio Cristo que é a suprema revelação de Deus, que através do Espírito Santo, vivifica(regenera) e convence os homens para que estes compreendam que o Deus que fez todas as coisas é o Deus Único que é revelado pela Escritura.

Em quarto lugar, se o texto prova alguma coisa ele prova justamente a depravação total, quando diz " ..antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu(vers:21)". E quando também diz "E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis(vers:23). Aqui claramente está comprovada a depravação do homem. É crendo na depravação total que a ação regeneradora do Espírito Santo ganha sentido.

Em quinto lugar, entendemos também que o texto em lugar nenhum ensina que há salvação por meio da criação. Muito pelo contrário, a salvação é exclusivamente por intermédio de Cristo. Ele é o único caminho para a salvação(Jo 3:16). Aqueles que nunca ouviram o evangelho não serão salvos, pois claramente a escritura ensina que Deus decretou salvar os crentes pela pregação do evangelho(1 Co 1:21). Crer que haverá salvação para aqueles que nunca ouviram o evangelho é crer que há outros caminhos para a salvação além de Cristo. Como também, se todos os que não tem o conhecimento do evangelho estão automaticamente salvos, qual seria a necessidade de preparar evangelistas para o campo missionário? Pra quê se preocupar com as nações que nunca ouviram o evangelho se elas automaticamente estão salvas?

Em último lugar, o que o texto nos quer transmitir é justamente o ensino de que os homens são indesculpáveis diante de Deus. Não são indesculpáveis porque eles compreenderam através da criação que o Deus da bíblia é o Único e Verdadeiro, mas sim por "deterem a verdade em injustiça"(vers 18) justamente por estarem mortos em delitos e pecados(Ef 2:8).

Diante disto, entendemos que Rm 1:18:21, em nada contradiz a doutrina reformada da depravação total. Muito pelo contrário, é um ótimo versículo para testificar tal doutrina.


Soli Deo Gloria

Álvaro Rodrigues


sexta-feira, 18 de abril de 2014

João 3:16 contradiz a eleição incondicional?



É comum a utilização de João 3:16 por grupos arminianos em uma tentativa frustrada de demostrar contradição entre o amor de Deus e a eleição incondicional. Para este grupo, não há como conciliar a expressão " Deus amou o mundo" com a crença de que Deus escolheu alguns para salvação e reprovou os demais. Mas o que pode ser dito como resposta à esses arminianos? O texto de Jo 3:16 contradiz a eleição incondicional? 

Demostrarei neste artigo duas possíveis interpretações(talvez existam outras) que calvinistas dão ao texto em análise, mostrando assim a compatibilidade entre João 3:16 e a eleição incondicional.

João 3:16 nos diz: " Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

1- INTERPRETAÇÃO: Existem calvinistas que defendem que a expressão " Deus amou o mundo" é referente aos eleitos de Deus que estão em todas as partes da terra. Para este grupo de calvinistas, Jesus quis ressaltar a verdade de que a salvação não estava limitada aos crentes israelitas; mas que se aplicava a todos os eleitos de todo o mundo.

2- INTERPRETAÇÃO: Há outros calvinistas que admitem que a expressão " Deus amou o mundo" refere-se não somente a eleitos, mas a todas as pessoas sem exceção. Só que para este grupo de calvinistas, existe mais de um sentido quando se diz que "Deus amou o mundo. Eles definem que Deus ama os não-eleitos de forma "provisional", enquanto que ama de forma "salvífica" somente os eleitos. 

O amor provisional refere-se aos benefícios de ordens natural e material  que são garantidos pelo sacrifício de Cristo e que são dados por Deus à todos os homens. Por exemplo, Deus, por conta do sacrifício de Cristo, tem "suportado com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição"(Rm 9:22). Isto é um tipo de amor, visto que, levando em conta que todos os homens neste momento mereciam estar no inferno, Deus os tem preservado com vida e sustento. (Mt 5:45, At 17:28)

O amor salvífico refere-se a intenção e desejo de Deus em salvar eternamente aqueles os quais elegeu. São os eleitos aqueles pelos quais Cristo garantiu a salvação. A expressão " deu o seu filho único, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna" é a garantia de que Deus só ama de forma salvífica os que tem fé, ou seja, os eleitos.

Então o texto ficaria assim: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira( Amor salvífico e provisional aos eleitos/Amor provisional aos não-eleitos), que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna(Amor salvífico exclusivo aos que creem, ou seja, os eleitos). 

Deste raciocínio se entende que Deus enviou Jesus para que "os que cressem tivessem a vida eterna". Daí se conclui que Deus ama de forma salvífica somente os crentes, e não a todas as pessoas.

A interpretação arminiana :

Os arminianos defendem que o texto de Jo 3:16 nos quer transmitir a ideia de que Deus enviou Cristo para possibilitar a salvação de todos. Porém a escritura nos ensina que a salvação não é uma mera possibilidade, mas sim uma realidade para aqueles a quem o Pai entregou ao Filho (Jo 6:37). 

Mas, se como os arminianos eu digo que Cristo veio possibilitar a salvação, em outras palavras estaria dizendo que era real a possibilidade de não haver nenhuma salvação. Pois, o que poderia garantir a existência dos salvos se Deus não tivesse decretado a eleição de alguns para a salvação? O livre-arbítrio do homem? Claro que não! Afinal, se eu tenho livre arbítrio eu posso aceitar ou negar a salvação. E se cada pessoa tem o livre-arbítrio conclui-se que elas poderiam ou ter negado ou aceitado, o que quer dizer que existia a possibilidade real de que o plano da redenção fosse frustrado.

Assim sendo, torna-se impossível a interpretação de João 3:16 numa perspectiva arminiana. Logo, fica a critério do leitor escolher entre a primeira ou a segunda interpretação dada pelos calvinistas ao texto em análise. 

Soli Deo Gloria 

Álvaro Rodrigues